Pai no Parto: Como Participar e Apoiar a Mãe no Trabalho de Parto e no Nascimento
Você passou nove meses ouvindo "e aí, preparado?" e, quanto mais a data chega, mais a pergunta aperta: "E na hora do parto, o que eu faço?"
Se essa dúvida passou pela sua cabeça, você está em ótima companhia. A maior parte dos pais de primeira viagem sente medo de atrapalhar, de passar mal ou de não saber ajudar. A boa notícia é que o apoio de quem está ao lado faz muita diferença, e dá para se preparar.
Este guia é para o pai no parto (ou para a mãe que quer mostrar o texto para ele). Você vai entender qual é o direito ao acompanhante, como o pai pode ajudar no parto, o que esperar de cada momento e como lidar com o medo.
Neste texto, falamos "pai" por ser o caso mais comum, mas quem escolhe o acompanhante é a mãe. Pode ser o pai, a mãe da gestante, uma amiga, uma irmã ou outra pessoa de confiança dela.
O pai pode estar presente? O que diz a lei
Pode, e a mãe tem esse direito. A Lei nº 11.108/2005 determina que os serviços do SUS, próprios ou conveniados, permitam a presença de um acompanhante junto à parturiente durante todo o trabalho de parto, o parto e o pós-parto imediato. A lei diz que o acompanhante é indicado pela própria parturiente.
Esse direito foi reforçado pela Lei nº 14.737/2023, que garante à mulher o direito de ser acompanhada por pessoa maior de idade em consultas, exames e procedimentos em unidades de saúde públicas ou privadas, sem necessidade de aviso prévio. Por isso, as unidades de saúde devem manter aviso visível sobre esse direito.
Dois detalhes que valem a pena conhecer:
- Quem escolhe é ela. A presença do pai depende da vontade da mãe.
- Na cesariana, a presença pode ser restringida. O Ministério da Saúde esclarece que o direito ao acompanhante vale tanto para o parto normal quanto para a cesariana. Mesmo assim, a presença na cesariana, ou o acesso ao centro cirúrgico, pode ser restringida pela equipe médica por razões de segurança ou de saúde. Por isso, combine tudo com a maternidade antes do dia e, se houver restrição, peça que a justificativa seja esclarecida.
Fonte: Lei nº 11.108/2005 (texto da lei, Câmara dos Deputados).
As regras e os protocolos de cada maternidade podem mudar. Confirme com o hospital e com o médico o que vale no seu caso.
Antes do parto: como se preparar
Boa parte do apoio acontece antes do dia do nascimento. Estes são os passos que mais ajudam:
- Converse com a mãe. Pergunte do que ela tem medo, o que quer e o que não quer. Ela é quem decide.
- Conheça o plano de parto, se ela tiver um. Ele reúne as preferências dela. A equipe médica avalia o que é possível em cada situação.
- Visite a maternidade. Saber por onde entrar, onde estacionar e como é a recepção tira muita ansiedade.
- Treine o trajeto e deixe o carro abastecido. Veja o que fazer na saída da maternidade no artigo Bebê Conforto: Obrigatório ou Supérfluo?.
- Deixe a bolsa pronta perto da porta, com documentos, cartão do pré-natal e carteira da gestante. Se precisar de ideias, veja o nosso guia de Enxoval do Bebê.
- Prepare a sua parte: carregador de celular, lanche, água e uma troca de roupa para quando a espera for longa.
- Combine quem avisa a família e quem cuida de animais ou de outros filhos.
Durante o trabalho de parto: como o pai pode ajudar
O trabalho de parto pode durar horas. O seu papel é ser o apoio constante dela, e a regra é simples: você acompanha a preferência dela, não impõe nada.
- Esteja presente. Às vezes, só ficar ao lado já ajuda muito.
- Ofereça água e o que a equipe liberar, nos momentos certos. Não insista para que ela coma ou beba: a orientação pode variar conforme a situação clínica, o tipo de parto previsto e os protocolos da maternidade.
- Faça massagem nas costas ou no quadril, se ela quiser. Ela pode gostar em um momento e não gostar no outro. Pergunte.
- Apoie a respiração. Se ela gostar, respire junto com ela ou ajude-a a manter um ritmo confortável. Evite insistir em técnicas ou exercícios que a deixem desconfortável.
- Ajude a mudar de posição, caminhar ou usar a bola e o chuveiro, se a maternidade oferecer e a equipe liberar.
- Seja a voz dela. Se ela estiver exausta, você pode comunicar à equipe as preferências que ela já tinha expressado, como as do plano de parto.
- Tenha paciência com o humor. Ela pode ficar irritada, quieta ou emocionada. Não leve para o lado pessoal.
- Elogie e encoraje, com frases simples: "você está indo muito bem", "estou aqui".
Combine antes um sinal com a mãe para quando ela quiser silêncio, ou quando precisar de ajuda. Pode ser uma palavra ou um gesto.
O papel do acompanhante é oferecer apoio e ajudar a mãe a expressar suas dúvidas e preferências. As decisões sobre os cuidados e procedimentos devem ser discutidas com a própria gestante, respeitando o consentimento dela e as orientações da equipe de saúde. Se tiver dúvida, pergunte com calma à equipe. Em caso de sinal de alerta, chame imediatamente a equipe.
Na hora do nascimento: o que esperar
Cada parto é diferente, e a equipe vai orientar você.
- No parto normal, o pai costuma ficar ao lado da mãe, oferecendo apoio e conforto. Se a equipe e a mãe concordarem, alguns pais acompanham mais de perto.
- Na cesariana, a presença do acompanhante, ou o acesso ao centro cirúrgico, pode ser restringida pela equipe médica por razões de segurança ou de saúde. Antes do dia, confirme com a maternidade como funciona o procedimento da unidade. Quando a entrada é permitida, quem acompanha costuma ficar ao lado da cabeceira, segurando a mão dela.
- Cordão umbilical: alguns pais cortam o cordão umbilical, se a equipe permitir e a mãe quiser. Não é obrigatório, e não é "prova de amor". É uma escolha.
- Contato pele a pele: quando mãe e bebê estão bem, o contato pele a pele com a mãe pode ser realizado logo após o nascimento, conforme as condições clínicas e a assistência da equipe. Se ela não puder fazer esse contato naquele momento, o pai também poderá realizá-lo, quando indicado e autorizado pela equipe.
- Fotos e vídeos: combine antes com a equipe e com a mãe. Em alguns momentos, o melhor é guardar o celular.
E se eu tiver medo?
Ter medo é normal. Muitos pais se preocupam com:
- ver a mãe com dor;
- passar mal ao ver sangue ou procedimentos;
- não saber o que fazer;
- o que pode dar errado.
O que ajuda:
- Converse sobre isso com a mãe, com o pré-natal e com o médico.
- Participe de curso ou roda de preparação para casais, se tiver na sua cidade.
- Conheça o ambiente antes, para diminuir o susto.
- Respire e peça pausa: se sentir tontura, avise a equipe e sente-se. Cuidar de você também é cuidar dela.
- Lembre-se do seu papel: estar presente, não ser perfeito.
E uma última coisa: você não precisa antecipar todas as situações nem ter resposta para tudo. Se algo sair do esperado, a equipe está ali para conduzir a assistência.
Se o medo for muito intenso e atrapalhar o dia a dia, conversar com um profissional de saúde é um ótimo caminho.
Depois do nascimento: os primeiros momentos
O trabalho do pai não termina quando o bebê nasce. Nas primeiras horas e dias:
- Apoie a mãe: água, comida, descanso e ajuda para se movimentar.
- Fique com o bebê, se a mãe precisar de descanso e a equipe permitir.
- Ajude na amamentação com apoio, paciência e atenção às orientações da equipe.
- Organize as visitas, para a família ter tempo de descansar.
- Cuide do sono dela. Veja dicas no guia Rotina de Sono do Bebê.
Em 2026, a regra geral é de 5 dias. A Lei nº 15.371/2026 prevê ampliação gradual para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e 20 dias em 2029, sendo esta última etapa condicionada ao cumprimento de uma meta fiscal prevista na lei. Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã e acordos específicos podem oferecer períodos maiores. Confirme as condições com o RH.
Checklist do acompanhante
- Conversar com a mãe sobre o que ela quer e não quer
- Conhecer o plano de parto e a maternidade
- Deixar a bolsa, os documentos e o carro prontos
- Levar carregador, água, lanche e roupa de troca
- Combinar um sinal com a mãe
- Saber a quem avisar e quem cuida do restante em casa
- Confirmar com a maternidade os procedimentos, inclusive para cesariana
- Confirmar as regras da licença no RH
Perguntas frequentes sobre o pai no parto
1. O pai é obrigado a acompanhar o parto?
Não. É uma escolha da mãe e do pai. A mãe pode indicar outra pessoa de confiança, e o pai pode apoiar de outras formas, antes e depois do parto.
2. O hospital pode negar a presença do acompanhante?
Pela lei, a mulher tem direito a um acompanhante no trabalho de parto, no parto e no pós-parto imediato nos serviços do SUS, e a lei de 2023 reforça o direito de acompanhamento em unidades públicas e privadas. Em situações específicas, como cesariana ou acesso ao centro cirúrgico, a equipe médica pode restringir a presença por razões de segurança ou de saúde. Se houver restrição, peça que a justificativa seja esclarecida e, em caso de dúvida, procure a ouvidoria da unidade.
3. O pai pode entrar na cesariana?
Depende. A presença na cesariana, ou o acesso ao centro cirúrgico, pode ser restringida pela equipe médica por razões de segurança ou de saúde. Antes do parto, confirme como funciona na maternidade e, se houver restrição, peça que a justificativa seja explicada.
4. O pai pode cortar o cordão umbilical?
Em muitas maternidades pode, se a equipe permitir e a mãe quiser. É uma escolha, não uma obrigação.
5. E se eu passar mal na hora?
Avise a equipe e sente-se. É mais comum do que parece, e a equipe sabe lidar com isso. Cuidar de você também faz parte.
Você está indo muito bem 💛
Você não precisa saber tudo para ser um ótimo apoio no parto. Ouvir a mãe, se preparar, respeitar a equipe e estar presente já é uma enorme ajuda. As decisões sobre o parto são dela, com as orientações da equipe de saúde, e o seu papel é caminhar ao lado dela.
E depois que o bebê chegar, a parceria continua. 👨👩👧
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As informações deste artigo não substituem a orientação do médico e da equipe da maternidade.