Família

Pai no Parto: Como Participar e Apoiar a Mãe no Trabalho de Parto e no Nascimento

Leitura de 8 minutos · Atualizado em 5 de novembro de 2026

Pai segurando as mãos da gestante em um quarto de maternidade, em aquarela

Você passou nove meses ouvindo "e aí, preparado?" e, quanto mais a data chega, mais a pergunta aperta: "E na hora do parto, o que eu faço?"

Se essa dúvida passou pela sua cabeça, você está em ótima companhia. A maior parte dos pais de primeira viagem sente medo de atrapalhar, de passar mal ou de não saber ajudar. A boa notícia é que o apoio de quem está ao lado faz muita diferença, e dá para se preparar.

Este guia é para o pai no parto (ou para a mãe que quer mostrar o texto para ele). Você vai entender qual é o direito ao acompanhante, como o pai pode ajudar no parto, o que esperar de cada momento e como lidar com o medo.

💡 Um aviso importante

Neste texto, falamos "pai" por ser o caso mais comum, mas quem escolhe o acompanhante é a mãe. Pode ser o pai, a mãe da gestante, uma amiga, uma irmã ou outra pessoa de confiança dela.

O pai pode estar presente? O que diz a lei

Pode, e a mãe tem esse direito. A Lei nº 11.108/2005 determina que os serviços do SUS, próprios ou conveniados, permitam a presença de um acompanhante junto à parturiente durante todo o trabalho de parto, o parto e o pós-parto imediato. A lei diz que o acompanhante é indicado pela própria parturiente.

Esse direito foi reforçado pela Lei nº 14.737/2023, que garante à mulher o direito de ser acompanhada por pessoa maior de idade em consultas, exames e procedimentos em unidades de saúde públicas ou privadas, sem necessidade de aviso prévio. Por isso, as unidades de saúde devem manter aviso visível sobre esse direito.

Dois detalhes que valem a pena conhecer:

Fonte: Lei nº 11.108/2005 (texto da lei, Câmara dos Deputados).

⚠️ Atenção

As regras e os protocolos de cada maternidade podem mudar. Confirme com o hospital e com o médico o que vale no seu caso.

Antes do parto: como se preparar

Boa parte do apoio acontece antes do dia do nascimento. Estes são os passos que mais ajudam:

Itens que o acompanhante leva para a maternidade: bolsa, carregador, água, lanche e roupa, em aquarela
  1. Converse com a mãe. Pergunte do que ela tem medo, o que quer e o que não quer. Ela é quem decide.
  2. Conheça o plano de parto, se ela tiver um. Ele reúne as preferências dela. A equipe médica avalia o que é possível em cada situação.
  3. Visite a maternidade. Saber por onde entrar, onde estacionar e como é a recepção tira muita ansiedade.
  4. Treine o trajeto e deixe o carro abastecido. Veja o que fazer na saída da maternidade no artigo Bebê Conforto: Obrigatório ou Supérfluo?.
  5. Deixe a bolsa pronta perto da porta, com documentos, cartão do pré-natal e carteira da gestante. Se precisar de ideias, veja o nosso guia de Enxoval do Bebê.
  6. Prepare a sua parte: carregador de celular, lanche, água e uma troca de roupa para quando a espera for longa.
  7. Combine quem avisa a família e quem cuida de animais ou de outros filhos.

Durante o trabalho de parto: como o pai pode ajudar

O trabalho de parto pode durar horas. O seu papel é ser o apoio constante dela, e a regra é simples: você acompanha a preferência dela, não impõe nada.

💡 Dica

Combine antes um sinal com a mãe para quando ela quiser silêncio, ou quando precisar de ajuda. Pode ser uma palavra ou um gesto.

⚠️ Atenção

O papel do acompanhante é oferecer apoio e ajudar a mãe a expressar suas dúvidas e preferências. As decisões sobre os cuidados e procedimentos devem ser discutidas com a própria gestante, respeitando o consentimento dela e as orientações da equipe de saúde. Se tiver dúvida, pergunte com calma à equipe. Em caso de sinal de alerta, chame imediatamente a equipe.

Na hora do nascimento: o que esperar

Cada parto é diferente, e a equipe vai orientar você.

Pai segurando o recém-nascido enquanto a mãe descansa na cama da maternidade, em aquarela

E se eu tiver medo?

Ter medo é normal. Muitos pais se preocupam com:

O que ajuda:

  1. Converse sobre isso com a mãe, com o pré-natal e com o médico.
  2. Participe de curso ou roda de preparação para casais, se tiver na sua cidade.
  3. Conheça o ambiente antes, para diminuir o susto.
  4. Respire e peça pausa: se sentir tontura, avise a equipe e sente-se. Cuidar de você também é cuidar dela.
  5. Lembre-se do seu papel: estar presente, não ser perfeito.

E uma última coisa: você não precisa antecipar todas as situações nem ter resposta para tudo. Se algo sair do esperado, a equipe está ali para conduzir a assistência.

Se o medo for muito intenso e atrapalhar o dia a dia, conversar com um profissional de saúde é um ótimo caminho.

Depois do nascimento: os primeiros momentos

O trabalho do pai não termina quando o bebê nasce. Nas primeiras horas e dias:

💡 Licença-paternidade

Em 2026, a regra geral é de 5 dias. A Lei nº 15.371/2026 prevê ampliação gradual para 10 dias em 2027, 15 dias em 2028 e 20 dias em 2029, sendo esta última etapa condicionada ao cumprimento de uma meta fiscal prevista na lei. Empresas participantes do Programa Empresa Cidadã e acordos específicos podem oferecer períodos maiores. Confirme as condições com o RH.

Checklist do acompanhante

Perguntas frequentes sobre o pai no parto

1. O pai é obrigado a acompanhar o parto?

Não. É uma escolha da mãe e do pai. A mãe pode indicar outra pessoa de confiança, e o pai pode apoiar de outras formas, antes e depois do parto.

2. O hospital pode negar a presença do acompanhante?

Pela lei, a mulher tem direito a um acompanhante no trabalho de parto, no parto e no pós-parto imediato nos serviços do SUS, e a lei de 2023 reforça o direito de acompanhamento em unidades públicas e privadas. Em situações específicas, como cesariana ou acesso ao centro cirúrgico, a equipe médica pode restringir a presença por razões de segurança ou de saúde. Se houver restrição, peça que a justificativa seja esclarecida e, em caso de dúvida, procure a ouvidoria da unidade.

3. O pai pode entrar na cesariana?

Depende. A presença na cesariana, ou o acesso ao centro cirúrgico, pode ser restringida pela equipe médica por razões de segurança ou de saúde. Antes do parto, confirme como funciona na maternidade e, se houver restrição, peça que a justificativa seja explicada.

4. O pai pode cortar o cordão umbilical?

Em muitas maternidades pode, se a equipe permitir e a mãe quiser. É uma escolha, não uma obrigação.

5. E se eu passar mal na hora?

Avise a equipe e sente-se. É mais comum do que parece, e a equipe sabe lidar com isso. Cuidar de você também faz parte.

Você está indo muito bem 💛

Você não precisa saber tudo para ser um ótimo apoio no parto. Ouvir a mãe, se preparar, respeitar a equipe e estar presente já é uma enorme ajuda. As decisões sobre o parto são dela, com as orientações da equipe de saúde, e o seu papel é caminhar ao lado dela.

E depois que o bebê chegar, a parceria continua. 👨‍👩‍👧

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As informações deste artigo não substituem a orientação do médico e da equipe da maternidade.